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O que são jogos run-and-gun? Saiba mais sobre

Imagem do jogo Metal Slug, popular game do gênero run-and-gun

Os jogos do gênero run-and-gun simbolizam o auge da ação intensa e ininterrupta nos videogames. Neles, o jogador avança sem parar enquanto dispara contra enxames de inimigos e tenta sobreviver a uma verdadeira chuva de projéteis. Embora a fórmula pareça simples à primeira vista, ela esconde um nível elevado de exigência técnica, colocando o jogador frente a frente com soldados, tanques colossais e até armadas espaciais. Power-ups espalhados pelos cenários oferecem vantagens momentâneas, como armas mais destrutivas ou veículos pilotáveis, mas o fator decisivo continua sendo a habilidade do jogador em reagir rapidamente ao caos instaurado.

A identificação de um run-and-gun é relativamente clara. O jogador controla um personagem em fases bidimensionais, geralmente em side-scrolling ou progressão vertical, com liberdade para se mover e atirar simultaneamente. O desafio consiste em enfrentar ondas sucessivas de inimigos, coletar itens de melhoria e derrotar chefes de grandes proporções ao final de cada estágio. Diferentemente dos shoot ’em ups, focados em naves e deslocamento automático, ou dos jogos de plataforma tradicionais, como Super Mario e Sonic, aqui a ação constante e o tiroteio frenético ocupam o centro da experiência.

Origem dos jogos run-and-gun

As raízes do gênero remontam aos fliperamas da década de 1970. Gun Fight, lançado pela Taito em 1975, é frequentemente apontado como precursor ao apresentar duelos armados entre personagens humanos. Já em 1979, Sheriff, da Nintendo, trouxe inovações ao permitir que o jogador mirasse independentemente do movimento do personagem. O conceito foi expandido em 1982 com Robotron: 2084, da Williams Electronics, que consolidou mecânicas fundamentais ao introduzir controles separados para movimentação e disparo.

A consolidação do run-and-gun moderno veio em 1985 com Commando, da Capcom, sob a direção de Tokuro Fujiwara. O título definiu a progressão lateral e o controle direto de um soldado em campo de batalha, diferenciando o gênero de outros estilos de tiro. Ao longo dos anos 1980, jogos como Ikari Warriors, WiBArm e 3-D WorldRunner ampliaram as possibilidades técnicas e visuais, impulsionados pela popularidade dos arcades e pela busca incessante por recordes de pontuação.

Em 1987, Contra, da Konami, marcou um divisor de águas ao introduzir o modo cooperativo para dois jogadores, aliado a um nível de dificuldade elevado. O sucesso nos fliperamas garantiu adaptações para consoles domésticos e inaugurou o período considerado a “era de ouro” do gênero. A transição para os consoles de 16 bits trouxe produções ainda mais ambiciosas, como Contra III: The Alien Wars e Gunstar Heroes, que elevaram o ritmo da ação e a criatividade no design de fases e armamentos.

Entre os nomes mais emblemáticos está Metal Slug, da SNK, conhecido pelo humor irreverente, animações em pixel art extremamente detalhadas e mecânicas como o resgate de reféns. Outros títulos, como Sunset Riders, Turrican e Alien Soldier, ajudaram a consolidar o prestígio do gênero entre os jogadores mais dedicados. Mesmo décadas depois, esses clássicos seguem disponíveis em serviços digitais e coletâneas modernas.

Longe de desaparecer, o run-and-gun encontrou nova vida no cenário independente. Jogos como Cuphead, Broforce e Blazing Chrome reinterpretam a fórmula clássica com estética renovada e alto nível de desafio. Essa herança também influenciou gêneros contemporâneos, especialmente na valorização da dificuldade elevada e da aprendizagem por tentativa e erro.

Do auge dos fliperamas à atualidade, o run-and-gun permanece relevante por oferecer adrenalina constante, desafios recompensadores e uma sensação única de superação. Mesmo com o afastamento parcial de grandes produtoras, estúdios independentes e a base fiel de fãs continuam garantindo a sobrevivência e a evolução de um dos gêneros mais intensos da história dos videogames.

Fonte: CanalTech

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